Artigo

Logística: um “mal necessário”​ extremamente estratégico!

7 de outubro de 2022

Me lembro como se fosse hoje que, ainda no meu primeiro semestre na faculdade de engenharia, no meu primeiro estágio em uma grande multinacional, conversando com o diretor sobre minhas futuras atividades, eu, empolgada, disse que a área de logística me interessava muito e ele prontamente respondeu assustado:

“Logística?! Logística nada mais é do que levar a carga do ponto A para o ponto B, não tem muita graça não, não tem muita coisa legal para se fazer na logística. Vá para a área de Processos”.

Bom… “acreditei” e assim eu fiz, fui trabalhar na área de Engenharia de Processos, com Lean, Six Sigma, Teoria das Restrições. E era incrível! Me apaixonei por cada desafio: mapear e entender os fluxos de linhas e células de produção, identificar os gargalos, reduzir tempos de “setups”, eliminar ou modificar atividades que não agregavam valor, eliminar desperdícios etc. era um trabalho que eu adorava e que trazia muitos ganhos operacionais e financeiros para a empresa.

Durante muito tempo, fiquei com aquela máxima de que logística é um “mal necessário”, “mais um centro de custos”, “simplesmente levar algo do ponto A para o ponto B”… e é exatamente aí que está a grande beleza da logística!

A logística na verdade é uma área muito estratégica, um grande diferencial competitivo: é a interface com os clientes internos e externos, representa grande parte da experiência de compra e de atendimento e, somado a isso, ainda é uma área com muitos desperdícios, ou seja, grandes oportunidades. O Brasil registra uma das maiores despesas de logística do mundo e grande parte destes custos são custos de ineficiências dos processos.

Fazendo um resumo, a cadeia logística é como um quebra-cabeça com peças soltas e repleta de complexidade. São diferentes intervenientes (agente de carga, despachante, embarcador, importador, exportador, indústria, fornecedor, governo, etc.) que participam, juntos, de 3 grandes fluxos: o fluxo de materiais, o fluxo financeiro e o fluxo de informações.

Porém, o problema é que esses 3 fluxos não se conversam, as informações são muito fragmentadas e os sistemas desconectados. Isto causa um grande impacto nas operações: as várias partes envolvidas na cadeia têm pouco ou nenhum conhecimento das ações umas das outras e essa falta de comunicação gera muita ineficiência, desperdício e pode levar à desconfiança entre os fornecedores e seus clientes. O problema fica ainda pior quando você está operando globalmente.

Hoje, muitos profissionais de logística fazem diversos inputs de informações e controles de forma manual, consultando sites e sistemas, copiando e inserindo em uma planilha Excel…

Ah, o Excel… fazendo um parênteses, recentemente li a seguinte frase:

“O Excel é o principal responsável pelo atraso na transformação digital de muita empresa”…

Dói, neh?! Até achei que faz sentido… Mas isso fica pra um outro “papo”…

A comunicação muitas vezes ainda é realizada por e-mails, telefones e whatsapp. Tarefas super repetitivas e que poderiam ser facilmente automatizadas.

Um dado compartilhado na Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, informa que em uma operação de importação ou exportação envolve cerca de 30 indivíduos e/ou instituições, 40 documentos, 200 dados sobre a operação e a reinserção de 60-70% de todos esses dados pelo menos uma vez.

Haja desperdício, hein?! E, para piorar… ou melhor, para melhorar… imagina traduzir isso em dinheiro, redução de custos, excelência no atendimento e na experiência do cliente… É aumento de competitividade na veia!

Além disso, recentemente, na “Imersão Logística, ouvi do João Cristofolini uma frase que faz todo sentido:

“logística não é sobre cargas, é sobre pessoas!!!”

e essas pessoas da logística normalmente são apaixonadas por desafios, por resolver problemas, criar soluções… porém, muitas vezes acabam ocupando seu dia a dia fazendo atividades repetitivas, desnecessárias, apagando incêndios… Agora, imagina só se essas pessoas pudessem ter mais tempo para gestão, novas ideias, inovações…

Ou seja, lembra aquele meu mindset de que logística era só levar algo do ponto A para o ponto B?! rs…vai lá inocente… Erreii!

A logística está em tudo, tem a ver com redução de custos, melhoria de processos, excelência organizacional, competitividade, experiência do cliente & estratégia.

Hoje trabalho para transformar a logística com inovação, tecnologia, processos e pessoas! E sou apaixonada por isso!

Sou founder da Flowls, startup que vem para juntar todas essas peças que envolvem a cadeia de suprimentos, conectando os diferentes atores e sistemas e integrando todo o fluxo de informações para trazer mais planejamento, previsibilidade e visibilidade aos processos, democratizar a gestão logística e auxiliar os usuários para a tomada de melhores decisões, baseada em dados. É como um “gêmeo virtual” que replica os processos físicos no digital, permitindo reduzir desperdícios e ineficiências que resultam em grandes reduções de custos e aumento da qualidade percebida pelos clientes internos e externos, com a entrega de uma melhor experiência a todos os elos envolvidos na cadeia, intermodal e de ponta a ponta.

Assim, com todos esses benefícios, alguma dúvida de que a logística deve fazer parte da estratégia das empresas?! Essa transformação deve ganhar cada vez mais espaço e evidência, se mostrando muito valiosa e importante para as diversas operações que envolvem a Logística!

Um mar de oportunidades, um caminho sem volta! Bora transformar a logística!

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