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Startups ganham espaço na cadeia logística

30 de junho de 2022

Profissionais com boa visão do setor deixaram empresas de transporte e, hoje, oferecem soluções interessantes

Muito boas em resolver problemas e desenrolar as diferentes etapas de um transporte ou entrega, as startups estão ganhando espaço no setor logístico. Seus criadores são, em geral, pessoas que já atuavam na área e perceberam a possibilidade de sair de uma corporação para se tornar prestador de serviços.

Foi o que ocorreu com Anna Valle, 36 anos, COO da Flowls. Ela fundou a startup com outras três pessoas. “Eu trabalhava em um operador logístico tradicional. Sou engenheira, e sempre atuei com fluxos e melhoria de processos. Lançamos a Flowls, em 2020”, afirma.

A Flowls é uma plataforma SaaS (iniciais de software as a service), voltada a integrar dados, automatizar processos e facilitar a visualização do fluxo logístico. “A cadeia, muitas vezes, envolve fabricante, transportes aéreo, marítimo e terrestre, Siscomex [sistema integrado de comércio exterior], terminais portuários. Essa rede é extremamente complexa e cada um trabalha com sistemas diferentes. Essas informações que eles geram são muito importantes, mas não se conversam, são fragmentadas”, diz.

“O que fazemos é integrar esse fluxo de informações”, garante Anna. “Hoje, as equipes de logística, da cadeia de suprimentos e de comércio exterior passam muito tempo executando tarefas repetitivas, que envolvem preenchimento de planilhas de Excel, trocas de e-mails, ligações telefônicas e mensagens de WhatsApp. Desenhamos a Flowls para integrar e automatizar todo o fluxo de informações, buscando-as direto da fonte”, afirma a criadora da startup.

Também em 2020 surgiu a CargOn, criada por Denny Mews, CEO da startup. “Eu trabalhava em uma das dez maiores empresas de logística. Percebia que a falta de informações entre transportador e indústria criava um desequilíbrio no nível de entrega de serviço”, afirma o executivo de 40 anos.

A CargOn também usa como base uma plataforma SaaS. “Nosso foco é o transporte rodoviário. Conseguimos dar mais informações para a indústria e identificar gargalos tanto na logística primária como na final. Entregamos mais valor em uma única solução”, diz Mews.

Em 2018, nascia a OneDoor, também fundada por seu CEO, Parsival Araújo, hoje com apenas 24 anos. “No começo, atuávamos com a entrega completa, mas, na transição de 2020 para 2021, nos tornamos uma plataforma de logística”, diz.

“Naquele momento, percebi que as transportadoras não estavam preparadas para o crescimento no volume de entregas. Tornei minha solução disponível para o mercado, aprimorando a plataforma e revendo conceitos de usabilidade. Todos que a utilizam aprovam a facilidade”, garante o criador da OneDoor, que oferece serviços de roteirização, monitoramento e rastreamento das entregas. “Também conseguimos diagnosticar, identificar e corrigir problemas.” Araújo diz que o forte da OneDoor é o trecho final da entrega, que pode ser feito tanto por bicicletas como por VUCs.

Sucesso e aquisição

A eficiência alcançada nas entregas para o comércio eletrônico foi vital para o reconhecimento da Uello, criada, em 2017, por Fernando Sartori, 36 anos. Ele é o CEO da startup, que se especializou no transporte de volumes de 50 a 70 quilos. “Em 2020, tínhamos investido na equipe e por isso acabamos enfrentando bem a pandemia”, afirma Sartori. Em abril de 2022, a Uello foi adquirida por um de seus clientes, as Lojas Renner, o que favoreceu a gestão da startup. “Isso nos dá força para executar projetos”, garante o CEO da startup.

A empresa atua nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais. Até o fim do ano, passará a atender a outros, sempre com transporte terrestre. “Mas o aéreo está no nosso radar”, garante.

O negócio da Uello se concentrava nas entregas, mas, desde 2021, a empresa também oferece sua plataforma SaaS. Entre os serviços que fornece existem módulos de acompanhamento do objeto transportado. “Em geral, isso aumenta muito a satisfação do cliente”, garante Sartori.

As startups e seus criadores

De acordo com dados da 100 Open Startups, os criadores de startups da área logística têm quase sempre um perfil técnico e conhecem os problemas do setor. “Normalmente, são pessoas que já tiveram experiência corporativa”, afirma Bruno Rondani, CEO da 100 Open Startups. Ele reconhece que há outros jovens como Parsival Araújo no setor, mas ressalta que a maioria se concentra na faixa de 36 a 50 anos.

No entanto, mais da metade (55%) desses profissionais está empreendendo pela primeira vez. Para aqueles que pensam em um voo solo como esse, Rondani alerta: “Não se pode começar sem antes validar a ideia, colocá-la na mão de empresas do setor logístico. O problema não é só a tecnologia mas a adesão a ela, e por causa disso algumas startups estão sofre”.

Fonte: ESTADÃO

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